A FOLHA entrevistou o escritor Marcelo Antinori!


Ex-presidente da Vasp, Marcelo Antinori vira escritor policial

Zanone Fraissat/Folhapress
SAO PAULO/SP BRASIL. 10/06/2016 - Retrato do escritor Marcelo Antinori na escadaria do bixiga.(foto: Zanone Fraissat/FOLHAPRESS, ILUSTRADA)***EXCLUSIVO***
Retrato do escritor Marcelo Antinori na escadaria do Bixiga
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Depois de passar mais de duas décadas em Washington, trabalhando no Banco Mundial e no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o economista Marcelo Antinori, 64, resolveu se dedicar exclusivamente a uma antiga paixão: a literatura.
Há cerca de dois anos ele escreve a série policial "Sereia de Vidro" (Bússola). Escritas com concisão -"sem enrolação", como gosta de enfatizar-, as narrativas ambientadas majoritariamente no centro de São Paulo têm personagens que transitam entre os mundos do crime organizado, da polícia e da burguesia.

São livros pequenos, com cerca de cem páginas, que podem ser consumidos isoladamente, como contos "que podem ser lidos no ônibus, em uma hora e meia", ou em sequência, como um romance.
"Quero chegar ao público que não lê, ou àquele que, quando lê, encontra coisa de má qualidade", diz. "Por isso quero ver meus livros nas bancas de jornal: esse público não entra em livraria."
A trajetória de Antinori é movimentada. Fez doutorado com Celso Furtado em Paris, nos anos 1970. Ao voltar para o Brasil, trabalhou na reorganização da Federação dos
Trabalhadores da Agricultura do Estado de Pernambuco.

"Em 1979, houve duas grandes greves coordenadas no Brasil: a dos metalúrgicos do ABC, em março e abril, e a dos canavieiros de Pernambuco, em outubro e novembro. Trabalhei clandestinamente durante dois anos na preparação do movimento dos canavieiros", recorda.
Dessa experiência resultou o romance "Os Enfrentantes" (Klaxon, 1983), de tom abertamente militante, que recebeu menção honrosa em concurso promovido pela União Brasileira de Escritores.

Nos anos 1980, Antinori trabalhou no governo estadual de Franco Montoro e assumiu a presidência da Vasp, empresa da qual conduziu o processo de privatização em 1990. "Eu tinha 36 anos e estava com o ego lá em cima. Meu erro foi não ter percebido o que havia por trás de tudo aquilo." Naquela época, escreveu outro romance, "O Labirinto de Mariana" (Klaxon).
Inventando gente

A aproximação com o gênero policial aconteceu em 2012, quando estava no Panamá a serviço do BID. "Andava cansado da economia e, meio de brincadeira, comecei a inventar personagens como um ex-banqueiro que virou bêbado, uma ex-terrorista alemã do grupo Baader-Meinhof que virou puta... Com esses personagens escrevi quatro livros em um ano, em espanhol."
O material caiu na mão de um editor panamenho que logo publicou o primeiro volume, "El Último Vuelo del Cóndor", sobre narcotraficantes e um crime misterioso.
Meses depois, Antinori voltou ao Brasil e publicou "O Húngaro que Partiu sem Avisar" (Lazuli, 2014), reescrito em português.
"Aprendi a escrever recentemente. Como economista, eu fazia textos objetivos, sem nenhum suspense", brinca. "Comecei a estudar contos. Romances de grandes escritores me aborrecem. Você lê 'Os Mortos', o último conto dos 'Dublinenses', e você entende toda a arte de James Joyce sem ter de encarar 'Ulysses'."

Para compor os personagens da série, Antinori tem seus macetes. "Quando defini a personagem de Ana Pérsia, que mora num apartamento no andar de cima daquele em que moram o tio e seu amante travesti, passei a ir uma vez a cada 15 dias para o centro. Sentava numa padaria e ficava tentando entrar na pele dos personagens. É o que Mia Couto chama de 'outrar'."
"Como no oitavo volume da série aparece a Yakuza, a máfia japonesa, vou à Liberdade para tentar 'outrar' um certo personagem", comenta.
Antinori já escreveu sete dos nove volumes de "Sereia de Vidro". Três deles já foram publicados, e o quarto e o quinto saem ainda neste ano. 

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/06/1780977-ex-presidente-da-vasp-marcelo-antinori-vira-escritor-policial.shtml

6 comentários:

  1. Interessante!
    Ele desistiu de voar através aviões, e decidiu "voar" através do mundo literário.

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  2. Gostei.
    Ainda não conheço os livros dele, mas a entrevista foi ótima!
    Beijos

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  3. Gostei, muito interessante a história dele.

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  4. Muito interessante a entrevista, não conheço nenhum livro dele! Mas parece uma leitura interessante, irei procurar posteriormente! Adorei as indicações!
    Sucesso e um beijo!

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  5. Uaal, muito legal mesmo essa entrevista... ele mudou completamente a vida para entrar no melhor mundo, o Mundo dos que viajam nos livros *--*

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  6. Gostei muito da entrevista, especialmente da técnica que ele usa para entrar nos personagens. Não conheço nenhum livro dele, mas adoro um bom suspense :D

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